REFLEXO DAS MARGENS

A partir da série premiada Laranjal, desenvolvo o projeto Reflexo das Margens, aprovado pela PNAB – Secult Pelotas. O trabalho se constrói a partir de um percurso por três territórios situados às margens da cidade de Pelotas: a região das docas do Porto, o Pontal da Barra no Balneário Laranjal e a Colônia de Pescadores Z3.
O projeto investiga os impactos da enchente de maio a partir dos corpos e dos lugares mais diretamente afetados. Os retratos em preto e branco isolam os rostos sobre fundo negro, suspendendo-os de qualquer referência espacial imediata. As figuras parecem emergir da escuridão, evocando ausência, apagamento e resistência, ao mesmo tempo em que afirmam presença.
Em contraponto, as imagens dos espaços habitados — ou anteriormente ocupados — revelam territórios atravessados pela água, pela memória e pela instabilidade. Ao articular retrato e paisagem, Margens Submersas propõe uma reflexão sobre as margens físicas e simbólicas da cidade, evidenciando como eventos climáticos extremos expõem desigualdades estruturais e modos de vida historicamente vulnerabilizados.
O trabalho se situa entre o documental e o poético, buscando não apenas registrar um acontecimento, mas construir uma narrativa visual sobre permanência, perda e reconstrução nas bordas do território urbano.
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